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Escrito por João-Francisco Rogowski - Jurista   
Sex, 04 de Janeiro de 2013 17:03

OS NOVOS RUMOS DA ADVOCACIA NO SÉCULO XXI.

Por João-Francisco Rogowski.*
Advogado Inglês
Segundo previsão de importantes ícones do mercado financeiro mundial, como o Citibank, por exemplo, o Brasil deverá ocupar o 5º lugar entre as maiores economias do mundo já em 2013 com um crescimento previsto a taxa de 3,9  e 4% em 2014.
Foi no governo do Presidente Itamar Franco, através do exitoso Plano Real, que foram lançadas as bases que permitiram o crescimento da economia do país projetando o Brasil internacionalmente assegurando-lhe credibilidade e respeito no cenário econômico mundial, o que ensejou investimentos estrangeiros, a criação de novos mercados para produtos e serviços, ampliando o leque das oportunidades para milhares de empreendedores, trabalhadores, profissionais liberais, especialmente para os advogados  assessores e consultores de empresas.
Estima-se que o mercado jurídico no âmbito da advocacia empresarial situe-se no patamar de faturamento de R$ 3 bilhões por ano e continua em franca expansão acompanhando o crescimento da economia, porém, este mercado está nas mãos de poucos, a grande maioria dos 700 mil advogados brasileiros não vai tão bem assim financeiramente, ao contrário, há especialistas que sustentam que ocorreu o empobrecimento da classe dos advogados na última década.
As causas disso são muito variadas e bem conhecidas e foram debatidas no II Congresso e Feira de Gestão Jurídica (Congrejur), ocorrido em Porto Alegre em agosto de 2012[**], entre elas sobressai o despreparo dos advogados a começar por cursos universitários desatualizados, fora da realidade, que ainda dão toda ênfase no processo judicial, preparando profissionais para a guerra, para o litígio, e não para a paz social.
Dr. Rogowski
Desde os meus tempos de estagiário eu já tinha a mais ampla consciência disso, tanto assim, que desde muito cedo, década de 80, passei a sustentar a necessidade de meios alternativos para a solução dos conflitos, fui fundador do "PRIMEIRO TRIBUNAL DE BAIRRO DO PAÍS" para conciliar conflitos de vizinhança (no blog do Desembargador Ruy Gessinger[***] há um artigo meu contendo detalhes).
Nos EUA existem cerca de 500 mil advogados em atividade e apesar de ser uma profissão bastante criticada lá, a carreira da advocacia ainda é um das mais desejadas e lucrativas nos Estados Unidos. Considerando que há no Brasil uma forte litigiosidade reprimida por falta precisamente de meios e condições de acesso à justiça para milhões de brasileiros, penso que há bastante trabalho para os Advogados, o que está faltando são pontes que viabilizem o encontro de profissionais ociosos com essa grande parcela da população que não tem acesso à justiça.
Como discípulo e amigo do emérito cooperativista, Professor Darcy Walmor Zibetti, há anos defendo a criação da JURISCOOP a exemplo da bem sucedida UNIMED, isto é, a organização de cooperativas de trabalho para Advogados, sobretudo, para absorção desse enorme contingente de profissionais despejados no mercado todos os anos. Mas para isso é indispensável o engajamento da OAB, e, talvez, até alguma pequena adaptação no Estatuto da Advocacia (Lei Federal 8.906/94).
Além disso, precisamos ter em conta que vivemos um momento civilizatório ímpar, de profundas e radicais transformações, num período que eu calculo entre 20 e 50 anos, o mundo estará irreconhecível para nós pelos parâmetros atuais.
Na esteira dessas transformações em um mundo globalizado a Advocacia como profissão liberal também vem passando por mudanças e a meu ver com tendência ao desaparecimento, ou seja, àquele cenário de antigamente constituído de um pequeno escritório, uma secretaria,telefone e máquina de datilografia, isso já é algo “démodé”. Somente vão sobreviver e crescer os profissionais que, além do conhecimento jurídico, também dominaram outras áreas do conhecimento humano, já que o mercado exige cada vez mais profissional com conhecimentos multidisciplinares, em síntese, o cliente não se contenta mais em simplesmente ganhar o processo, pois, ganhar nem sempre é levar a melhor, como dizia Carnelutti, há vitórias que são azedas, tão sofridas, tão demoradas, que teria sido melhor ter perdido antes e recobrado a paz de espírito. O que os cidadãos, as empresas e outras instituições esperam do advogado hodiernamente são soluções, como disse JP Morgan: Eu não contrato advogados para me dizerem o que eu não posso fazer. Eu os contrato para me dizerem como fazer aquilo que eu quero fazer.
A seguir alguns excertos colhidos da matéria publicada no CONJUR sobre o congresso que reuniu vários especialistas no assunto.
  • “... o advogado está muito voltado para o processo e muito pouco para as questões do dia a dia da empresa, que não nascem, necessariamente, como questões jurídicas. São questões de macroeconomia, de gestão, de estratégia etc. Aliás, o advogado se expressa numa linguagem diferente da adotada pelas empresas e pelos homens de negócios.”
  • “... o Direito é uma ciência conservadora. O estabelecimento de normas sobre o relacionamento humano é uma tendência de conservar o status quo. O advogado, em decorrência, é essencialmente um conservador, assim como todo o ensino e a dogmática jurídica. Isso explica por que o advogado é muito resistente às mudanças. Temos, com isso, que as mudanças no campo da advocacia sejam mais lentas.”
  • “O advogado tem que participar da gestão da justiça, não pode se omitir. E tem de se preparar. O advogado tem buscar mudanças no sistema de gestão, que vem com o processo eletrônico, para poder manter a perspectiva de que a justiça atenderá a cidadania. O destinatário de justiça não é o juiz, o advogado ou membro do Ministério Público – mas o cidadão. Só assim é que conseguiremos melhorar os resultados. As performances têm de ser avaliadas pelo ponto de vista da cidadania. E a cidadania tem estar satisfeita, e não o advogado ou o magistrado.”
* Advogado, Consultor de Negócios.
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Como citar este artigo:
ROGOWSKI, João-Francisco. OS NOVOS RUMOS DA ADVOCACIA NO SÉCULO XXI. Disponível em http://www.canaleletronico.net/index.php?view=article&id=575. Acesso em:__/__/__.TURE OF ADVOCACY IN BRAZIL