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Usina de Belo Monte dúvidas a serem esclarecidas. PDF Imprimir E-mail
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Escrito por João-Francisco Rogowski   
Dom, 04 de Dezembro de 2011 13:05

A polêmica em torno da construção da usina de Belo Monte

Por João-Francisco Rogowski.*

 

É público e notório o meu compromisso com a defesa da vida e da natureza, com atuação perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos. Nas minhas críticas externadas publicamente não tenho poupado nem segmentos da Igreja aos quais tenho chamado de omissos.

Mas temos que ter cuidado para não nos tornarmos inocentes uteis e massa de manobra nas mãos de espertalhões.

Dou um exemplo:

Houve uma comoção mundial sobre a diminuição da camada de ozônio atribuída ao aumento da concentração dos gases CFC (cloro-flúor-carbono) presentes no aerossol, em fluidos de refrigeração (geladeira, ar condicionado), como Freon 11 e Freon 12 da Du Pont e etc.

Vários países pressionados por ambientalistas ingênuos proibiram o uso do CFC.

O que estava por trás disso tudo?

Respeitáveis estudiosos do assunto, inclusive, um gaúcho que chegou alertar o ex-presidente Collor de Mello sobre a farsa, sustentam que as concentrações de ozônio estratosféricos são altamente variáveis e dependem da variação de fatores internos e externos ao sistema Terra-atmosfera, como produção de radiação ultravioleta pelo Sol e a presença de aerossóis vulcânicos.

A verdade é que não há evidências científicas concretas e irrefutáveis de que a camada de ozônio na estratosfera esteja sendo destruída pelos compostos de clorofluorcarbono (CFCs), que são gases utilizados em refrigeração.
O que ocorreu foi que, como os CFCs se tornaram de domínio público e já não podiam ser cobrados direitos de propriedade ("royalties") sobre sua fabricação, as indústrias, que controlam a produção dos substitutos (ICI, Du Pont, Atochem, Hoechst, Allied Chemicals), convenceram grupos de ambientalistas ingênuos, respaldados politica e financeiramente por alguns governos de países de primeiro mundo, a apoiarem a "farsa da destruição da camada de ozônio" e do aumento do buraco de ozônio na Antártica, a fim de que, passasemos a pagar "royalties" pelo uso de produtos substitutos.
O gás Freon 12 que custava US$ 1,70/kg, o seu substituto R-134 custa em torno US$ 20,00/kg. Como as indústrias têm suas matrizes em países de primeiro mundo e pagam impostos lá, não fica difícil de concluir para onde vai nosso dinheiro e de quem é o interesse de sustentar uma idéia, ou hipótese tão absurda como essa da destruição da camada de ozônio pelo homem.
Luiz Carlos Baldicero Molion, Prof. Phd do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal de Alagoas, afirma que:

 

“Na minha opinião, essa hipótese é uma atitude neocolonialista, ou seja, de domínio dos países ricos sobre os pobres, através da tecnologia e das finanças. Países tropicais, como Brasil e Índia, precisam de refrigeração a baixo custo. A hipótese da destruição da camada de ozônio é uma forma de transferir dinheiro de países pobres para países ricos, que já não possuem recursos naturais e têm que sobreviver explorando os outros financeiramente.
Uma das minhas preocupações é que o assunto já está sendo tratado nos livros de Ciências que as crianças usam e parece que vamos formar uma geração inteira, ou mais, baseados em afirmações, ou "dogmas", sem fundamento científico. (1)

 

O professor Molion (2) acrescenta ainda que:

 

“A destruição da camada de ozônio pelos CFC não passou de uma manobra neo-colonialista. No colonialismo tradicional, tropas militares são mantidas nas colônias para garantir a ordem. No neo-colonialismo, as nações são mantidas colônias por meio da tecnologia (royalties) e pelo sistema financeiro. Os CFC foram eliminados na década de 1990 e a concentração de O3 continua a diminuir e chegará aos menores valores no mínimo do ciclo solar de 90-100 anos que ocorrerá entre 2020 e 2032. Já começaram a dizer que os substitutos dos CFC, os HFC, também destroem o O3 e que serão necessários novos gases, os substitutos dos substitutos. Isso porque os HFC têm suas patentes vencendo nos próximos 5 anos e, é claro, os países industrializados não podem viver sem explorar os outros, já que eles não possuem nem recursos energéticos nem naturais . Vamos aguardar para ver a nova falcatrua que deverá surgir em breve. O ozônio voltará aos níveis máximos entre 2050 e 2060, quando ocorrer o novo máximo solar. E aí a “recuperação” da camada de ozônio será mérito dos substitutos dos substitutos, mas a desigualdade social será maior num mundo com uma camada de ozônio restabelecida.”

Quanto a Usina Belo Monte também é preciso cautela, pois, há muitos interesses internacionais contrários ao programa energético brasileiro, o Brasil por seu potencial hídrico é desenvolvedor de tecnologia na área de hidrelétricas, aliás, atualmente, domina e desenvolve tecnologia de ponta.
Há ainda o interesse de outros países em nos vender usinas atômicas.
Deixo bem claro que não estou defendendo a construção da usina de Belo Monte, ainda não estudei o assunto, não acessei documentos, seria leviandade minha emitir qualquer opinião sem o mínimo de embasamento, mas insisto em dizer que é preciso prudência, cautela, e não podemos ser ingênuos e nos deixar manipular por interesses estrangeiros.
A única verdade incontestável até o momento é que não há unanimidade nacional sobre a construção da usina.
Alunos da UNICAMP sustentam a viabilidade da usina se o projeto for bem integrado com o desenvolvimento auto-sustentável da região (dois vídeos abaixo).
É um milhão de vezes melhor utilizar energia elétrica do que petróleo, mas uma coisa é inquestionável, “energia limpa” praticamente não existe. Todo e qualquer processo de produção de energia dentro do planeta irá sempre deixar resíduos poluentes e gerar algum nível de impacto ambiental, nem mesma a energia eólica escapa disso.
Talvez, e digo mesmo talvez, a única exceção seja a energia solar, que é produzida fora do planeta. Aliás, para mim o sol não está aí por acaso, o seu objetivo primordial é produção de energia.
Já existe tecnologia para extrair energia do sol e alimentar noite e dia a cidade de Las Vegas, mas por estranhas razões eles preferem produzir sua energia a partir dos geradores movidos pela queima de óleo diesel. Não é difícil perceber a influencia das empresas petrolíferas por trás disso.
Há milênios a cana de açúcar sabe como transformar a luz solar em energia, na cana tudo é energético (açúcar, álcool, bagaço, etc.).
* Jurista, coordenador nacional do Movimento SOS Vida.
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2- Luiz Carlos Baldicero Molion é bacharel em Física pela USP e doutor em Meteorologia – e Proteção Ambiental, como campo secundário – pela Universidade de Wisconsin, Estados Unidos. Concluiu seu pós-doutorado no Instituto de Hidrologia, em Wallingford, Inglaterra, em 1982, na área de Hidrologia de Florestas. É associado do Wissenschaftskolleg zu Berlin (Instituto de Estudos Avançados de Berlim), Alemanha, onde trabalhou como pesquisador visitante de 1989 a 1990.

 

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Como citar este artigo:

 

ROGOWSKI, João-Francisco. A polêmica em torno da construção da usina de Belo Monte. Canal Eletrônico. Disponível em http://www.canaleletronico.net/index.php?view=article&id=529. Acesso em:__/__/__.